Trabalho pós-pandemia: desafios e vantagens do sistema híbrido

Trabalho pós-pandemia

Sumário

Eduardo Schneider
Eduardo Schneider
OAB/SP 307.082 Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Especialista em: a) Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Presbiteriana Mackenzie b) Processo do Trabalho – Teoria e Prática pela OAB/ESA - Escola Superior de Advocacia c) Didática do Ensino Superior pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Idiomas estrangeiros: Inglês

A pandemia de COVID-19 trouxe diversas mudanças em nosso meio de conviver em sociedade e o sistema híbrido foi uma delas.

O modo de viver anteriormente ao surto global era intimamente ligado ao contato diário e presencial entre diversos grupos sociais. E isso ia muito além do corriqueiro.

Desde saídas sociais até o nosso trabalho de cada dia, feito presencialmente em alguma empresa ou estabelecimento.

Com as novas políticas de enfrentamento da doença e controle do contágio, o modo de conviver e de trabalhar mudou por completo: o home office, que antes era exceção e privilégio de poucos, virou a regra para quase todos os trabalhadores.

No entanto, isso traz diversos questionamentos. Afinal, o home office e o sistema híbrido de trabalho são sempre vantajosos? Quais os desafios encontrados quando pensamos em questões estruturais e jurídicas?

O cenário do home office durante a pandemia

Como já sabemos a pandemia mudou profundamente nosso modo de trabalhar e de nos relacionar com as pessoas em nossa volta. A mudança foi repentina e muitos ficaram perdidos nesse início.

O home office chegou, modificando a forma como interagíamos com o labor. Para frear – ou fazer a tentativa de reduzir – o contágio da doença, muitas empresas mantiveram seus colaboradores produzindo em casa.

E claro, houveram diversos benefícios envolvendo o sistema home office. As vantagens, que a princípio as empresas nem enxergavam na maioria dos casos, acabaram por aparecer mais rápido do que se imaginava.

Benefícios auferidos por patrões e colaboradores

O sistema de trabalho remoto, ou como é popularmente conhecido, home office, permite que o colaborador desenvolva suas atividades laborativas em casa, com seus equipamentos ou em algum escritório próprio, por exemplo.

Diversos benefícios e vantagens foram observados desde a implantação desse modelo de forma massiva. Para os colaboradores, os principais diferenciais positivos foram os seguintes:

  • Economia relevante em termos de tempo de deslocamento;
  • Maior flexibilidade no trabalho;
  • Possibilidade de estar mais tempo com a família;
  • Maior rendimento no trabalho;
  • Qualidade de vida muito aumentada;
  • Possibilidade de especialização, graças ao tempo economizado com deslocamento.

Para os empregadores, também houveram diversas vantagens diferentes ao optar por esse modelo remoto de trabalho para seus colaboradores. Dentre os maiores benefícios listados para esse grupo, podemos então citar os seguintes: 

  • Grande economia de água, luz e outras despesas estruturais;
  • Redução de gastos com vale transporte de colaboradores;
  • Produtividade aumentada dos funcionários;
  • Flexibilidade.

E os benefícios alcançaram não apenas esses dois grupos. A sociedade como um todo pode enxergar uma mudança positiva na implantação em grande escala desse modelo de labor em casa. Apenas para visualizar, essas foram algumas das vantagens observadas pela sociedade:

  • Redução de acidentes de trânsito;
  • Menor emissão de poluentes;
  • Índices de violência diminuíram;
  • Trânsito menos conturbado.

Como é possível notar, as vantagens foram diversas e notadas logo no início da implantação do home office. Mas em um momento específico houve uma possibilidade de retorno. Que desafios foram formados a partir dessa situação? 

Retorno ao presencial ou home office?

Após alguns meses, com a redução gradativa de algumas medidas de restrição de circulação de pessoas, muitos empregadores chamaram seus funcionários de volta ao posto presencial.

Já outros, adotaram o sistema remoto para diversos dos seus colaboradores, devido ao grande retorno positivo que obtiveram por meio da economia de custos.

Um terceiro grupo, apostou no que chamamos de sistema híbrido de trabalho: o colaborador vai à empresa uma ou duas vezes por semana e, no restante dos dias, mantém o seu trabalho de forma remota.

O sistema híbrido representa um meio termo

Esse sistema hibrido acabou sendo adotado por diversas empresas, claro, nos setores onde podia haver essa implementação de forma a não prejudicar o trabalho.

Por meio da divisão da escala entre presencial e home office, foi possível manter os colaboradores contentes pela formação de uma escala de serviço mais flexível e ainda trouxe vantagens ao empregador, que pode continuar economizando em alguns pontos.

O que a CLT diz sobre o sistema híbrido?

Sabemos que a nossa Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, trata das questões tradicionais de trabalho e regulamenta essa forma de labor de maneira clara, sendo esse seu foco principal.

Com o advento da reforma trabalhista, pela Lei 13.467/2017, nosso Ordenamento Jurídico recebeu a inclusão do trabalho home office ou tele trabalho, que é agora regulamentado.

Mas não há nada dito a respeito do sistema híbrido de trabalho, ou seja, o modo de labor que envolve escalas presenciais e em home office.

Na falta de uma regulamentação específica para esse ponto importante, alguns questionamentos jurídicos e práticos começaram a aparecer e precisam de respostas.

Questionamentos levantados com o sistema híbrido e o home office

São diversas as incertezas jurídicas no que tange ao sistema híbrido. Pela falta de uma legislação específica ou mesmo de uma regulamentação, algumas lacunas surgem.

O que afinal precisa ser levado em conta ao escolher o sistema híbrido? O que é preciso tratar com mais atenção antes de embarcar nesse modo de trabalho? 

Contratos de trabalho

Diversas situações envolvem o sistema híbrido e, caso o empregador opte por esse molde, deve ser feito algum tipo de aditamento ao contrato ou mesmo implementados termos de aceite.

Isso porque são vários casos inerentes a esse modelo, que envolvem por exemplo:

  • Segurança jurídica do trabalhador;
  • Custos do trabalho remoto;
  • Frequência no trabalho.

É preciso ter atenção a esse ponto, sempre levando em conta os interesses de empregador e funcionário.

Equipamentos necessários e ergonomia

Há de se convir que muitos colaboradores não possuem em casa os mesmos equipamentos existentes no escritório presencial.

Sendo assim, ao optar por um sistema híbrido, a empresa precisa pensar na questão da ergonomia.

Algumas empresas hoje em dia, já trabalham com a locação de equipamentos para home office, como:

  • Cadeiras ergonômicas;
  • Monitores;
  • Computadores adequados ao trabalhos;
  • Outros equipamentos necessários para efetuar as atividades.

É importante orientar os colaboradores, para que se evite problemas relacionados a lesões por esforço repetitivo ou outros tipos de problemas causados por inadequação do ambiente e dos equipamentos.

E claro, o aval do médico do trabalho é importante, seja na hora de alugar equipamentos ou da compra destes para empréstimo aos seus funcionários.

Adequação às leis

Outro agravante é que, além da inexistência de leis e normas a respeito do trabalho híbrido, também existem poucas situações julgadas sobre o tema. Isso dificulta ainda mais a formação de entendimento dos Tribunais em relação ao assunto.

O controle da jornada de trabalho também é importante, e consta da Nota Técnica nº 17/2020 do GT Nacional Covid-19 e do GT de Nanotecnologia/2020 do Ministério Público do Trabalho.

A recomendação é que os empregadores pensem em formas de exercer um efetivo controle sobre as horas trabalhadas pelos seus funcionários, afinal, há a possibilidade de futuras reclamações que envolvem horas extras.

De qualquer forma, a Reforma Trabalhista – Lei 13.467/2017 – dá a prevalência ao acordado sobre o legislado, o que significa que as empresas e seus colaboradores podem entrar em acordos, por meio dos sindicatos, e estabelecer convenções coletivas que sejam benéficas a todos os grupos.

Afinal, o sistema híbrido de trabalho é a melhor opção?

Isso irá depender do enfoque da empresa e também do setor que terá a opção do sistema híbrido. De qualquer modo, a empresa deve ter um diálogo aberto com seus colaboradores, de forma a identificar a preferência deles.

Dessa forma, podem ser tomadas as melhores decisões, com base em políticas internas claras e sempre de acordo com o que for estabelecido nos sindicatos em relação a esse sistema híbrido.

Compartilhe:
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima

E-Book Gratuito

Manual prático de como adequar uma empresa à LGPD

A LGPD está em vigor. Você sabe qual a importância de adequar sua empresa para que não receba uma multa?